Uma palavra a todos os pais a respeito da felicidade de seus filhos
Viktor Lowenfeld

Tenho visto crianças rodeadas de grande número de brinquedos, chorando, tensas e infelizes, sem saber o que fazer com eles, incapazes de usar sua mente, sua imaginação, para se sentirem felizes. Também tenho visto crianças completamente distraídas e contentes com um simples pedaço de pau, que, às vezes, representa um trem e que, outras vezes, zumbe no ar como se fosse um avião.

Que torna, então, uma criança infeliz, apesar de todas aparentes vantagens, e outra feliz, alegre, embora não desfrute de tais privilégios? Ao que parece, a felicidade não depende dessa influências externas. Nasce da disposição infantil, da mesma forma que os demais traços do caráter e da personalidade.

A felicidade da criança depende, principalmente, do ambiente em que ela se cresce e, em particular, da compreensão que seus pais manifestam diante de suas necessidades. O amor, por si só, não é o suficiente, mesmo quando se trata de amor cego (nota: muito menos até). A remoção de todos os obstáculos, de todas as dificuldades que surgem, nem sempre é vantajosa para a criança. Dar-lhe tudo quanto deseja, significa, amiúde, priva-la de importantes apetências, que constituem a motivação principal das descobertas e das explorações. Realizar todas as suas vontades equivale a fechar-lhe o caminho à iniciativa e à procura da própria satisfação. Devemos sempre ter em mente que a execução de todos os desejos externos de uma criança não se relaciona, automaticamente, com o cumprimento das suas necessidades internas.

O número, cada vez maior, de casos de desordens emocionais e mentais é de causar espanto! Ao passo que somos bastante eficientes para reconhecer as necessidades físicas dos nossos filhos, descuidamo-nos gravemente dos seus   problemas de caráter emocional e mental.

Embora o crescimento físico e a saúde sejam predominantes, há outros componentes do desenvolvimento de grande importância para o bem estar da criança e sua felicidade como futura cidadã. A criança utiliza a sua mente, usa as suas mãos, reage sensitivamente ao que vê, ouve, sente ou toca, desenvolve desejos de se comunicar com os outros - tudo isto faz parte do seu bom êxito.

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