Enfeitada como a Rainha de Sabá!
Maria de Fátima Seehagen

- "Enfeitada como a Rainha de Sabá!" O que será mesmo que se quer dizer com isto?

Algumas personagens femininas vivem na memória coletiva e têm alimentado as criações de pintores, escritores, compositores e cineastas de todos os tempos, apesar disto, e talvez por isto, a descrição da trajetória destas mulheres é marcada por contradições de todos os tipos.

A surpreendente vida da Rainha de Sabá não foge a esta regra. Poucas mulheres da história preencheram a nossa imaginação de forma tão impressionante, ainda que envolvida em tanto mistério. Sua vida já foi descrita no folclore e tradições tanto das culturas orientais como ocidentais. Contudo, por todo lugar onde se procure, sejam novelas, romances, filmes, óperas ou outras obras de arte sobre ela, permanece o enigma.

Nem mesmo o nome da maravilhosa rainha sabe-se com certeza e os arqueólogos também não conhecem bem a sua identidade. Pelos cristãos é conhecida a versão de sua visita ao rei Salomão, de quem se diz, a rainha queria conhecer a sua sabedoria. Já os historiadores acreditam que a trabalhosa viagem de visita a Salomão não passou de uma missão comercial. Na Bíblia, Mateus faz alusão da citação de Jesus sobre a Rainha do Sul, "que se levantará no Juízo".

Através dos esforços do paleólogo Wendell Philips, foi dado ao mundo cientificar-se da real existência de Sabá e do esplendor de Marib, sua capital. Um país rico em ouro e pedras preciosas, situado onde temos hoje o atual Yemen. Avançado em técnicas de irrigação e na utilização dos sistemas hidráulicos, cujo maior tesouro era o incenso e as resinas exóticas desejados por todos os reinos para louvação em seus cultos, e também como antídoto de venenos, onde a mirra, empregada antigamente como analgésico, era usada para preparar os corpos para o enterro e para cura de tantos males.

Sabe-se também que Sabá era um centro de sabedoria sobre a astronomia e que o seu rei ou rainha possuíam sempre grandes conhecimentos nesta arte. Alguns documentos históricos trazem ainda o testemunho de que algumas civilizações nesta época possuíam os seus governos centrados na mulher, tanto no estado como na família, compondo matriarcados onde a mulher, se não tinha uma posição superior ao homem, ao menos igualava-se a este em todos os seus direitos, incluindo o fato de poder escolher o seu companheiro e também de divorciar-se se assim lhe parecesse melhor.

Em uma tal civilização, com tamanha riqueza e conhecimentos, como se enfeitaria a rainha deste esplendoroso reino? Seria a imperscrutável rainha de Sabá apenas uma adolescente em busca de um sábio rei ou uma mulher poderosa, cônscia de seus deveres para com o povo e para com o Criador, que desafiara a suposta sabedoria de Salomão, com justiça e conhecimento? Nikaulis, Makeda, Balkis ou Biltis, seja qual for o nome que lhe atribuamos, será que, para escrever a sua fama por milênios a rainha teria se valido apenas de jóias fantásticas e tapetes mágicos?

Ou, para estar tão enfeitada como a rainha de Sabá, nos será necessário mais? Muito mais. Será necessário, como ela, governar com o coração de uma mulher e com o pulso de um homem? Será necessário adornar-se com a pureza de sentimentos e a grandiosidade da compaixão? Justiça e conhecimento. Adornos da alma e não do corpo.

SUGESTÃO DE LEITURA:
SABÁ - O PAÍS DAS MIL FRAGRÂNCIAS
Roselis von Sass

Conheça os detalhes da grandiosa missão da suprema sacerdotisa de Sabá ao visitar o rei judeu Salomão. "- Deves preparar o povo, do qual és o regente, para a vinda do Enviado de Deus que nascerá em vosso país! Ao mesmo tempo deves despertar nas almas humanas o anseio de poder servir a Ele!" Em uma narrativa atraente e romanceada, Roselis von Sass traz de volta os perfumes de Sabá; a encantadora rainha Biltis, possuidora de rara beleza; os valiosos papiros com os ensinamentos dos antigos "sábios da Caldéia".


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