-Um passeio num jardim encantado
Maria de Fátima Seehagen

A leitura é um dos grandes, senão o maior jardim, ingrediente encantado da civilização, mas como fazer nossos filhos lerem? Como fazer com que se aproximem dos livros com um sorriso e não com aquela carinha que já conhecemos, com o mais profundo aborrecimento?

Andréa Machado em suas dissertações sobre o aprendizado da leitura cita:
"O psicanalista francês Lacan disse que o olhar da mãe configura a estrutura psíquica da criança, ou seja, esta se vê a partir de como vê seu reflexo nos olhos da mãe! O bebê, então, segundo esta citação, lê nos olhos da mãe o sentimento com que é recebido e interpreta suas emoções: se o que encontra é rejeição, sua experiência básica será de terror; se encontrar alegria, sua experiência será de tranqüilidade, etc. Ler está tão relacionado com o fato de existirmos que nem nos preocupamos em aprimorar este processo. É lendo que vamos construindo nossos valores e estes são os responsáveis pela transformação dos fatos em objetos de nosso sentimento".

A leitura ajudará aos nossos jovens a aumentar a sua bagagem cultural, melhorar a sua ortografia, desenvolver a sua capacidade de análise, sua tolerância, sua curiosidade intelectual, ampliar seus horizontes, expressar seus sentimentos, aperfeiçoar a linguagem e adentrar em outros mundos que jamais sonharam construir. Pois bem, esta construção precisa ser induzida pelos pais desde a mais tenra infância se é que queremos jovens sorridentes em suas aventuras literárias!

Antes de nos colocarmos como defensores fervorosos da leitura, precisamos nós mesmos, entender que faz parte da própria leitura indagar uma realidade para que a compreendamos melhor. Ao conduzirmos aos nossos filhos à leitura abrimos para eles um universo imensurável onde poderão tomar nas mãos a carta de cidadania através da cultura escrita de todo o mundo. Mais do que tudo isto, ao ensinarmos a paixão pela leitura formamos cidadãos críticos, capazes de assumir uma posição própria.

Novas perguntas surgem daí:
- Como escolher os livros para os meus filhos?
- Como guia-los a escolher os seus próprios livros?

No caso da leitura mais do que nos atermos a livros interessantes, temos que ter leitores interessados que mantenham um comportamento ativo diante da leitura. Para que isso aconteça, é necessário estar atento para a maturidade de compreensão do material lido, senão tudo cairá no esquecimento ou ficará armazenado em nossa memória sem uso. Ao escolhermos o livro para uma criança ou adolescente temos que nos preocupar com a faixa etária para a qual o mesmo foi desenvolvido, pois assim a maturidade do nosso jovem leitor conduzirá à compreensão do texto trazendo prazer, potencializando a formação estética e educando a sensibilidade. Vale a pena se esforçar no início e criar para o seu filho ou aluno um hábito que será para ele mais do que entretenimento e distração: será LIBERDADE PLENA DE AÇÃO.

A Literatura Infanto-Juvenil atualmente trabalha com algumas questões centrais, como a identidade da criança através de livros que abordam o cotidiano e suas emoções. A partir dos contos de fadas, contos contemporâneos e poesias, o livro infanto-juvenil procura estimular o exercício do imaginário.

Confira a sugestão:

"Quem protege as crianças?"
Produção nacional, com primoroso texto de Antonio Ricardo Cardoso e ilustrações de Fátima Seehagen e Edson Gonçalez é um título que agradará a crianças e adultos. Os contos de fada e as culturas do passado nos falam dos protetores das crianças, os conhecidos "anjos da guarda". Quem são estes protetores? Nos dias atuais é comum acontecerem salvamentos inexplicáveis de crianças que, especialmente protegidas, escapam de desastres ou acidentes. Entre versos e ilustrações, o mundo invisível dos guardiões das crianças é revelado."Quem protege as crianças?" resgata o conhecimento das antigas tradições que ficaram perdidas no tempo.

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