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ALGUNS
PORMENORES SOBRE O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
texto retirado do livro
"Revelações Inéditas da Hístória
do Brasil"*
de Roselis von Sass - Editora
Ordem do Graal na Terra
"Quando
Pedro Álvares Cabral, à testa de suas treze aventureiras
naus, aportou nas costas do Brasil atual, teve, assim como o astrônomo
da frota, João Matias, uma curiosa impressão.
-A sensação que tenho, disse, é como se estivéssemos
tocando um porto já bem conhecido de uma terra natal! João
Matias acenou com a cabeça, concordando que exatamente isso era
o que também vinha sentindo. O mesmo e estranho efeito dominava
parte da tripulação. Dessa maneira nem Cabral nem João
Matias poderiam recriminar o fato de alguns de seus homens terem deixado
de retornar a bordo, ao levantar dos feros, para a viagem de regresso
a Portugal.
Cabral tentou logo de achar um nome para a terra recém-descoberta.
O mesmo fizeram João Matias e os padres franciscanos que faziam
parte da comitiva. Um dia, de manhã, João Matias, manifestando
seu ponto de vista, declarou que a nova terra, ou a ilha, deveria chamar-se
" Vera Cruz", no que foi apoiado por Cabral igualmente desejoso
de uma denominação que se referisse ao símbolo da
cruz. Os franciscanos, por sua vez, também ficaram contentes com
o nome escolhido. Na nova terra, a cruz, o nome de Cristo e o seu sacrifício
pela humanidade teriam de ser pregados necessariamente aos nativos. João
Matias, entretanto, ressalvou logo que, a dizer a verdade, não
havia propriamente pensado na cruz de Cristo ao fazer aquela sugestão,
que lhe ocorrera intuitivamente, todavia para não ser desonesto
queria, também, relatar o fato de ter visto, na tarde anterior,
uma cruz refletida na fulguração do sol poente. Os franciscanos
não levaram muito a sério esse depoimento da visão
de uma cruz no disco solar, porém Cabral sorriu em silêncio,
porque também ela havia presenciado, do seu posto na nau capitânia,
aquele estranho por do sol com o signo da cruz.
Eis por que o Brasil foi primeiramente denominado Ilha de Vera Cruz. Anos
depois, quando já se sabia que não se tratava apenas de
uma ilha, foi, então, essa designação modificada
de modo que, daí por diante, só se falava em Terra de Vera
Cruz. Mas esse nome não iria perdura muito. Mal decorridos trinta
anos do descobrimento da terra de Vera Cruz, já em Portugal se
propagara o nome de terra dos Brasis.
Todo o leitor da Mensagem do Graal não ignora que existe um significado
muito sério relacionado com os nomes, quer se trate do nome de
pessoas, de animais, plantas ou de países. Todo o nome é,
a seu modo, um filtro que dá passagem a vibrações
da Luz de uma certa e determinada significação. Assim sendo,
a denominação Brasil, no sentido da Luz, quer dizer: terra
virgem, terra imaculada.
De onde se originou propriamente o nome Brasil, prosseguem até
hoje os historiadores em infindáveis controvérsias, sendo
que, agora, já pé possível dar uma explicação
a respeito.
Um belo dia aportaram nas costas do norte do Brasil algumas embarcações.
Dentre os passageiros desses navios havia um grupo de mercadores que vieram
em busca da nova colônia de Portugal, a fim de realizar transações
lucrativas com os indígenas. Logo depois de sua chegada aqui, os
tais mercadores entraram em contato com a pequena tribo dos tapicaris.
Como estes indígenas até ali não conheciam qualquer
espécie de forasteiros, nem tinham sofrido da parte deles quaisquer
maus tratos, receberam os desconhecidos sob mostras de amizade, como hóspedes
bem -vindos. Os mercadores, por sua vez, que eram em sua maioria homens
bem-intencionados, alegraram-se com o bom acolhimento que lhes era dispensado,
permanecendo durante várias semanas na aldeia dos índios.
Nesse maio tempo tiveram oportunidade de partilhar de várias festividades
peculiares da tribo, inclusive da que era dedicada aos seres ou gênios
da floresta. Essa festividade revestia-se de uma importância toda
especial para os índios, uma vez que entre eles as selvas eram
tidas no mais alto apreço. Foi precisamente durante uma dessas
festas que os mercadores, pela primeira vez, ouviram falar na história
e na canção do gênio da floresta Mbrasil.
Sete das mais lindas virgens dos tapicaris dançavam com passos
rítmicos, cantando a canção de Mbrasil, que fez seu
sangue correr pelas ibirapitangas. Repetidas vezes entoavam as virgens
o nome do grande gênio das selvas, cuja morada era dentro da própria
árvore. Depois de um grupo de velhas Ter colocado em cima de um
tronco uma espécie de porongo cheio de certo líquido, sete
homens ricamente adornados de penas multicolores se aproximavam, empunhando
cada qual uma longa lança de madeira. Era chegada, então,
a vez dos homens principiarem, por sua vez, uma espécie de dança
em torno do tronco, mergulhando a ponta de suas lanças no referido
líquido, à medida que a dança se desenvolvia. Então
as pontas das lanças, embebidas no líquido, reluziam com
um colorido vermelho vivo, que é próprio da árvore
ibirapitanga.
Sempre de novo recomeçavam as danças com incessantes e novas
melodias. Sem esmorecer, as sete virgens intercalavam seu cântico
de louvor nos sucessivos e rápidos intervalos, entoando um veemente
estribilho:
" Mbrasil, Mbrasil, teu sangue corre pelas árvores do ibirapitanga..."
Aqui e acolá os mercadores procuravam dançar em torno delas,
cantando, e se algum deles tentava, porventura, reter uma delas pelo braço,
elas redobravam na invocação do nome Mbrasil, e se esgueiravam,
rindo e rindo, dando continuidade a dança.
As festividades duravam habitualmente de um por do sol até o raiar
do dia seguinte. Ao despontar a aurora, porém, homens e mulheres
conjuntamente erguiam um cântico de gratidão em honra ao
senhor do sol, que lhes propiciava calor e vida.
Os portugueses, sempre de novo, admiravam-se da disciplina e da ordem
que, sob todos os pontos de vista, reinavam entre "os selvagens",
achando a expressão "selvagens" absolutamente descabida
com relação a essa gente.
Foi, contudo, nessa festividade indígena, que os mercadores ouviram,
pela primeira vez, menção do nome Mbrasil. E foi, também,
depois dessa festividade, que ficaram conhecendo a árvore de cerne
vermelho, que produz uma tinta característica de colorido vermelho
vivo. Essa árvore é a ibirapitanga, sangue de Mbrasil, gênio
da floresta. Ora, como o nome Mbrasil era sempre mencionado em conexão
com a madeira de cor vermelha e o seu extrato, da mesma cor, ficaram os
mercadores com a idéia de que esse era o nome da madeira, não
só da madeira como o nome das próprias virgens tapicaris,
uma vez que as dançarinas, na dança ritual, batiam no peito
e sorridentes proferiam o nome do gênio da floresta. Com isso queriam
dizer que nesse ano elas eram as virgens de honra desse gênio da
floresta.
Mbrasil, Brasil! Esse nome ficou de tal maneira entranhado na mente dos
mercadores, que eles, carregados de haveres de toda espécie, retornando
às suas embarcações, de outra coisa não falavam
senão dos Brasis. Chegando a Portugal, toda a vez que lhes tocava
falar da nova colônia, era à terra dos Brasis, a que se referiam.
Como tivessem trazido consigo grande quantidade de tal madeira, e essa
tivesse ficado conhecida no comércio com o nome de "Brasil",
essa designação se alastrou rapidamente, tornando-se mais
conhecida em Portugal do que o próprio nome Vera Cruz. Para a interpretação
dos indígenas, um dos gênios das selvas era Mbrasil, porém
no sentido da Luz, o conjunto das duas sílabas Brasil significa:
terra virgem, país indevassado."
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