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Eu
erro, tu erras, ele erra.
Carlos Nepomuceno*
09/11/04
Troco mensagens pelo MSN com uma amiga que se inicia na vida de autônoma.
Ela tecla: - Acho que fiz uma M....
- O que foi?
- Fui visitar um possível cliente, que não apareceu. Acabo de enviar e-mail
para ele espinafrando.
- Vacilou, né?
- Pois é.
- Quer uma dica? (pergunto).
- Manda.
- Sempre que for visitar alguém, telefona antes, mesmo que tenha marcado
no dia anterior. As pessoas no escritório esquecem, não colocam na agenda.
"Vou estar aqui mesmo!". E aí tem que dar uma saidinha e você fica ali
com cara de carente.
- Pois é.
- Posso dar outro?
- Diz.
- Nunca desopile a raiva por e-mail.
A palavra escrita marca mais, se reproduz e fica. Deixe a poeira baixar
e telefone. Não se sabe o que realmente aconteceu do outro lado. Não faça
pré-julgamentos.
Voltei a falar de erros cometidos dias depois, já presencialmente, com
outra amiga sobre a desclassificação dela em uma prova de mestrado. Acha,
agora, que poderia ter feito proposta de tese mais coerente com as linhas
de pesquisa da Universidade e menos da cabeça dela.
Já foi um aprendizado importante, penso eu.
No fundo, nós temos grande dificuldade de aprender com erros. Separar
o que é um novo de um completamente velho. Isso ocorre, principalmente,
na vida profissional.
As pisadas de bola antigas, que se repetem, fazem parte daqueles nossos
defeitos do fundo da gaveta, temperamento mal domado, lado oculto, que
nos puxam para baixo.
É nosso autoboicote cotidiano. Precisamos conhecê-lo para que não tome
conta da casa.
Nesse processo, facilita muito quando sabemos onde estamos e para onde
vamos - uma linha imaginária entre passado, presente e futuro.
(Não tem vento que ajude, se o barco não sabe para onde vai).
Com uma rota, fica mais fácil compreender o exato momento que estamos
lidando com algo realmente novo e abrimos espaço para aprender errando.
Acompanhei diversos projetos na área de tecnologia e garanto que a maior
parte dos problemas está relacionada a pessoas e como administram seus
erros novos e antigos, do que propriamente com as pobres máquinas e softwares
despidos dessa complexidade.
Assim, se errar é humano, aprender com os erros nos torna mais humanos
ainda.
As pessoas nascem e podem desenvolver determinados talentos e um dos fatores
principais para chegar a esse potencial máximo é aprender com os próprios
erros.
É a famosa briga entre talento aproveitado versus desperdiçado. Os que
conseguem um potencial maior são os que nunca estão procurando colocar
o erro para debaixo do tapete, no outro, mas preferem encará-lo de frente
e se aprimorar.
Quantos vezes conseguimos ter essa atitude?
Como disse John Powell, autor americano: "O único erro de verdade é aquele
com o qual não aprendemos nada". Concordas?
*Carlos
Nepomuceno é jornalista e e-consultor. Colaborador do Jornal da Tarde
de São Paulo e coordenador da Pontonet, especializada em gerenciamento
de projetos web, e-business, teletrabalho e ferramentas de busca.
http://www.pontonet.com.br
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