FOLHAS ETERNAS

Não são folhas mortas. Apenas encantadas, o prelúdio da próxima aurora.
Agradecidas aos galhos a às copas mães, as folhas amareladas e desbotadas navegam levemente no verde-cosmo. Assim, descem extasiadas, escorrendo entre os troncos, líquenes, borboletas, ninhos e aranhas, embriagadas pelas resinas segregadas dos vegetais irmãos.
Desprendidas em tranqüila maturidade pousam somente com a aquiescência do chão. E o chão na mata é um berço de vida em reverência.
Agora, alcatifando o solo e amparando as águas das chuvas, aí estão as antigas folhas em sua nova morada. As mensageiras do sol observam a magnificência por baixo.
De repente, em companhia dos gravetos, são pisoteadas por uma anta distraída. E no chão fofo e úmido, naturalmente agradecidas, começam o desmanche. Vem um macuco espojar-se e uma cutia enterrar uma semente, espalhando ainda mais as folhas caídas.
Festa na terra: formigas, bactérias, cogumelos, cupins, piolhos de cobra, besouros, baratinhas e outros seres vivos comemoram...
Repartem-se as folhas em sublime doação, desprendendo celulose em poesia.
Seus nutrientes novamente se incorporam às seivas das árvores vizinhas...


Oba!
Uma folha brotou lá em cima!

Participação: Lélio Costa e Silva (MédicoVeterinário)