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A HARMONIA NA ARTE
Maria de Fátima Seehagen
"Para mim a arte não tem passado nem futuro.
Se uma obra de arte não pode viver no presente,
ela não merece que a contemplemos."
Pablo Picasso
O objeto de arte, motivo deste nosso estudo, tem necessariamente a mesma
idade do ser humano, uma vez que a manifestação artística faz parte da
sua formação, mas historicamente vamos encontrar vestígios desta atividade,
apenas há cinqüenta mil anos, no período Paleolítico Superior.
De lá para cá, como que obedecendo a uma função constante, a arte tem
passado por ciclos de representações figurativas e realistas e outros
de representações estilizadas e abstratizantes. Atravessando estes períodos,
os estilos (ismos) ou "escolas" se apresentam num desenrolar que pode
parecer infinito e confuso para um pesquisador menos avisado.
Não nos cabe aqui discorrer sobre as diversas "escolas" de arte que se
sucederam no decorrer da história, no entanto, estas alterações que percebemos
são relativas à aparência externa do objeto de arte, ou seja, à forma
com que o artista se comunica, buscando o aprimoramento da maneira de
se expressar, o que naturalmente dependerá tanto da técnica como dos materiais
utilizados e, não por último da capacidade pessoal de cada um.
Estas alterações não só aconteceram durante todo o período historicamente
conhecido, no desenvolvimento das manifestações artísticas através dos
tempos, como se repetem dentro de cada escola particularmente, assim como,
no desenvolvimento de cada artista individualmente.
Chega-se aí a uma curiosa pergunta:
- Representam estas alterações um progresso dentro da arte?
- Sendo assim, a arte contemporânea pode ser considerada mais evoluída
e conseqüentemente mais bela que a arte dos nossos antepassados?
A realidade não é bem esta. Mesmo acreditando que a arte primitiva representa
um estágio inicial de civilização, devemos lembrar que a evolução desejada
nem sempre aconteceu em todos os campos do conhecimento humano e esta
arte primitiva pode perfeitamente exprimir um aspecto formal igual ou
superior ao atual.
"Progresso
a todo o custo! Mas progredir é possível em duas direções. Para cima
ou para baixo. Conforme a escolha feita. E conforme a situação presente,
conduz com velocidade sinistra para baixo."
(Mensagem do Graal de Abdruschin
Volume I - Dissertação: "Moralidade")
O cultivo unilateral do raciocínio, preocupado com os índices de produção
e consumo, atingiu também aos artistas que, com raras exceções, procuram
hoje moldar as suas criações de acordo com os ditames da última "moda",
ou no caso da arte, mais propriamente falando, de acordo com as regras
estabelecidas pelo último crítico de arte em evidência. Não é difícil
constatar que a grande maioria dos artistas atuais encontra no crítico
o seu público, descaracterizando a principal função da arte que seria
participar no desenvolvimento da consciência humana.
Naturalmente esta violência processada contra a naturalidade do criar
artístico, pessoal e intransferível, uma vez que está ligado às vivências
de cada um, e também contra o público que irá contemplar o objeto daí
decorrente, teria que transformar o artista criador, cuja produção depende
da sua inspiração e do seu grau de intuição, em apenas um técnico, de
boa qualificação ou não, cuja produção depende apenas de conhecer a teoria
e a técnica com maior ou menor profundidade.
Na Mensagem do Graal podemos encontrar como nortear o necessário aperfeiçoamento
em todas as áreas, inclusive nas artes:
"Considerai: uma coisa não é para todos! O que é útil para um pode prejudicar
outrem. Cada qual tem de percorrer por si seu próprio caminho para o
aperfeiçoamento. Seu equipamento para isso são as faculdades que traz
em si. De acordo com elas é que tem de se orientar, e sobre elas edificar!
Se não o fizer, permanecerá um estranho dentro de si mesmo, e se encontrará
sempre ao lado daquilo que estudou, e que nunca pode tornar-se vivo
dentro dele. Assim, cada proveito para ele está fora de cogitação. Vegeta,
e se torna impossível um progresso." (Mensagem
do Graal de Abdruschin Volume I - Dissertação: "Despertai!")
"Somente o soerguimento da própria cultura constitui verdadeiro progresso
para cada povo! Sim, em tudo deve haver ascensão, e nenhuma estagnação.
Mas essa ascensão no progresso deve sempre ocorrer no próprio solo e
partindo deste, e não pela aceitação de coisas estranhas, do contrário
nunca será progresso. A própria palavra progresso, em seu verdadeiro
sentido, já rejeita imitações. O progresso de um povo, pois, só pode
florescer daquilo que já possui, e não da aceitação de algo emprestado."
(Mensagem do Graal de Abdruschin
Volume III- Dissertação: "Beleza dos Povos")
Henri
Matisse, artista não menos célebre que Pablo Picasso, com cuja citação
abrimos este capítulo, escreveu em sua obra autobiográfica (1908):
"Sonho com uma arte de equilíbrio, de pureza e serenidade, desprovida
de temas perturbadores ou deprimentes; uma influência tranquilizadora
e calmante sobre o espírito, algo como uma boa poltrona que propicie descontração
para a fadiga física."
A busca da harmonia e do perfeito equilíbrio em todas as criações, visando
a mais perfeita representação do belo, soerguendo o criador e o contemplador
através das sensações a partir daí geradas deve ser o empenho de todo
aquele que queira praticar uma arte verdadeira, não esquecendo, porém
que:
" A verdadeira harmonia, porém, origina-se exatamente pela heterogeneidade,
e não acaso pela uniformização de todos os povos. (...) Contemplai,
neste sentido, as flores nas campinas, que, justamente devido às suas
diferentes variedades, vivificam e refrescam, sim, proporcionam felicidade."
(Mensagem do Graal de Abdruschin
Volume III- Dissertação: "Beleza dos Povos")
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