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BELEZA NA ARTE
Maria de Fátima Seehagen
"A beleza é verdade, a verdade é beleza."
John Keats
Tentando
compreender o fenômeno artístico chegaremos a mais um conceito cuja compreensão
é necessária, se queremos atingir uma séria consciência artística: a beleza.
Considerando-se, como vimos no capítulo anterior, a arte como produto
do espírito, e lembrando que este se manifesta através da intuição, deduzimos
que a idéia geral de beleza, que está intimamente ligada ao conceito da
arte, também será compreendida com o sentimento intuitivo.
Enquanto Aristóteles considera que "(...)Um ser ou uma coisa composta
de diferentes partes só pode ter beleza na medida em que estas partes
são dispostas numa certa ordem(...)" ¹, Platão vai mais longe e afirma
que "(...) A origem de toda a beleza é uma beleza que, por sua própria
presença, torna bela as coisas que chamamos de belas, seja qual for a
maneira pela qual o contato se estabeleça.(...)" ². Só no século XVIII,
em Kant (1790), quando a estética passa a ser estudada de uma forma independente
de outras questões, vamos encontrar uma definição algo mais ampla: "(...)
É belo aquilo que agrada universalmente sem conceito.(...)" ³
Este agradar universalmente condiciona uma faculdade única de reconhecimento
do belo como um conhecimento inerente a todo os seres humanos, em todas
as épocas.
Ainda assim, seguindo nesta cansativa busca nos meandros do conhecimento
intelectual, não encontramos uma explicação definitiva sobre a beleza,
nem no seu conceito nem nas sensações que provoca, pois a verdadeira noção
do belo não pode aceitar um conceito estético determinado pelo saber humano,
ditado pelo raciocínio unilateral, pois está ligada ao conceito primevo
de verdade.
Vários são os teóricos que discutem o significado do conceito de beleza
alegando que a experiência estética varia de acordo com as culturas, as
épocas, os povos, e assim por diante.E realmente, uma vez que a necessidade
de expressão artística é permanente e universal, na múltipla diversidade
de conceitos implícita nesta universalidade encontraremos também diversos
tipos de beleza com os quais o ser humano se satisfaz.
A cultura de cada povo possui saberes próprios, oriundos do seu desenvolvimento,
que condicionam todos os seus sistemas de expressão, notadamente característicos
de cada região. Também de indivíduo para indivíduo, mesmo sendo estes
contemporâneos, a arte irá variar, caracterizando-se pela diversidade
de representação, sensibilidade, personalidade e interesses de cada um.
Mesmo obras de um mesmo indivíduo, por vezes variam bastante de acordo
com a experiência, estados de ânimo, idade, etc..
Admitindo que o produzir artístico nasce sempre de uma observação apurada,
guiada pela vivência do artista, que tanto pode ser dirigida para os aspectos
externos quanto internos de algum fator, esta produção poderá mostrar-se
em formas externas diversas, mas a beleza a ela inerente advirá da sua
essência e será facilmente reconhecida (sentida) com a intuição.
O crítico inglês Herbert Read, um dos primeiros estudiosos a defender
a "educação pela arte", pois entendia que apenas através da educação dos
sentidos seria possível a formação do ser humano para aquilo a que chamamos
de integridade, defendia que "o sentimento estético é inerente à maioria
dos homens, independente de seu nível de desenvolvimento intelectual".
Com segurança podemos dizer que este sentimento estético é inerente sim,
à totalidade dos seres humanos, como uma propriedade do espírito, encontrando-se
tanto mais vivo quanto maior for a vivacidade espiritual do respectivo
ser humano, o que garante o reconhecimento da beleza.
"Entregai-vos ao original e verdadeiro senso de beleza e nunca podereis
errar, pois ele está ligado às leis primordiais da Criação, é a expressão
de um saber ainda oculto sobre a perfeição, um indicador de caminho
infalível para cada espírito, pois unicamente todo o espiritual, nesta
Criação posterior, tem a faculdade de reconhecer, numa bem determinada
maturidade, a verdadeira beleza com consciência plena!" (Mensagem
do Graal de Abdruschin Volume III - Dissertação: "Beleza dos Povos")
"(...) por toda a parte onde vosso senso de beleza não puder vibrar
alegremente, a harmonia severamente condicionada pela lei da Criação
não existe assim como deve ser. E onde falta harmonia, também não há
beleza."
(Mensagem do Graal de Abdruschin
Volume III - Dissertação: "Beleza dos Povos") .
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