CARTUM COMO OBRA DE ARTE
Gabriel de Mattos *

Faoza pode ser considerado um desenhista da geração atual de cartunistas brasileiros. Não aquela que começou rabiscando por conta própria e acabou assumindo espaços na imprensa; mas a que foi criada nas escolas e universidades de Arte e/ou Comunicação Visual e tem um amplo leque de atividades ligadas à área de produção gráfica. E que também entrou em contato com a produção de outros países e mesmo escolas regionais brasileiras.

Essa geração é meio como aquela "geração de conservatório", que ocupou a música popular brasileira na década de 1970, trazendo um cuidado técnico para junto da criatividade natural do músico nacional. O paulista fAoZa tem um grande domínio técnico que se reflete nas várias atividades que desenvolveu, incluindo publicidade e trabalhos em computação gráfica para webpages.

É também uma geração que leva seus trabalhos para galerias e ateliês, pois não o vê apenas como base de uma atividade jornalística, mas mantém aquela ligação com a atividade artística, o cuidado artesanal e a visão do produto como obra de arte.

Seu traço cartunístico se filia àquela escola Latino-americana que tem nomes como Caloi e Fontanarosa na Argentina, e que por sua vez remete aos europeus, principalmente Petillon e seus personagens de "narigão". O traço claro e as cores marcadas mostram também uma preocupação com a legibilidade e a filiação com um trabalho mais apurado, lembrando o espanhol Mordillo, e ocupando um espaço paralelo ao escracho (temático e gráfico) da escola brasileira que nasce com O Pasquim e chega a Los Três Amigos e ao grupo da revista Bundas atualmente.

Gabriel de Mattos, arquiteto, quadrinhista, que conheceu e avaliou o trabalho de Faoza para a Folha do Estado(CUIABÁ MT)

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