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Uma
" família" animal
Vininha Carvalho*
O
ser humano mantém um relacionamento familiar que transcende em muitos
anos a fase do aleitamento dos filhos. Nos cães e gatos este processo
é muito diferente, sendo que as fêmeas se dedicam aos filhotes quando
estes são recém-nascidos, amamentando-os, cuidando da manutenção de sua
temperatura e desencadeando neles o reflexo da micção e de defecção,lambendo-lhes
o ventre e cuidando da higiene.
Com o desmame, inicia-se um período de afastamento e isto reflete numa
total independência e perda de laços de afetividade maternos. Os machos
caninos e felinos desconhecem absolutamente seus filhotes, no entanto,
de um modo geral costumam ser dóceis com os pequenos, pois ficam atraídos
pela sua fragilidade. Há, porém, algumas raças que preferem se manter
à distância,pois não tem paciência com as brincadeiras. Evidentemente
os cães não têm a mínima idéia de que os filhotes nasceram porque eles
acasalaram com as fêmeas. O boxer, collie e fila brasileiro fazem parte
de um grupo que são carinhosos com os seus filhotes. Depois que ele crescem,
porém é difícil que a convivência pai e filho continue a mesma. A disputa
pela fêmea e o cheiro do outro macho adulto, por exemplo, são motivos
para criar vários pontos de discórdia entre eles. Neste caso a relação
torna-se impossível e precisam ser separados.
Os
gatos não diferem dos cães quanto ao espírito de família.Para eles, não
interessa se os filhotes são ou não deles. Como mesmo depois de adulto
eles são muito infantis, se você jogar uma bolinha para o pequeno, o pai
irá correr atrás também,numa grande harmonia, até o momento que o filho
tambem manifestar o cheiro de macho,que muitas vezes representa o fim
da amizade de forma irreversível.
Os pássaros possuem um instinto de família muito alto.Em muitas espécies
o macho chega a sentar no ninho para chocar os ovos. E depois de nascidos
os filhotes, o pai ajuda a mãe na alimentação. Um dia antes dos ovos quebrarem
a fêmea sai do ninho para tomar banho e ficar com as penas molhadas para
amolecer a casca. Neste período, quem fica chocando no ninho é o macho.
Há ainda casos em que a fêmea simplesmente abandona os filhotes para começar
outra postura. O macho passa a alimentar sozinho os filhotes até que sejam
adultos e suficientemente fortes para voarem.
O sagüi é um pai muito especial, carrega o filhote o tempo todo e só o
leva para a mãe na hora de alimentar.
O desmame e a migração para outro lugar bem distante, deixando para trás
a antiga família, dando início à formação de uma própria é a mais perfeita
manifestação de que existe uma grande preocupação da natureza em preservar
as espécies, evitando a consangüinidade que gera problemas congênitos
e enfraquecimento. Não importa se os animais não são capazes de reconhecer
os seus filhotes, pois o mistério da vida lhes é concedido e cabe a nós
protegê-los e criarmos condições para uma coexistência pacífica.
Vininha
F. Carvalho -
Vice presidente da Liga de Prevenção a Crueldade Contra o Animal
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