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Texto
retirado do livro:
ATLÂNTIDA
Princípio e fim da grande tragédia
Roselis von Sass*
"O
norte e o sul estavam ligados através de muitos caminhos. Em locais especialmente
belos desses caminhos de viagem, um dos reis, certa vez, pediu aos gigantes
que colocassem marcos de pedra. Esses marcos eram blocos pontiagudos de
rocha com cerca de cinco metros de altura, dispostos como se tivessem
brotado do solo. O objetivo dessas pedras era convidar os viajantes ao
descanso e à reflexão. Deveriam lembrar-se que também a vida terrena,
no fundo, era uma viagem com muitas alterações e vivências. Uma viagem
que terminava na Terra com o "último sono", para logo depois acordarem
felizes, no reino dos espíritos, em Avalon.
Até o início desta história, isto é, até aproximadamente 50 anos antes
da submersão existia um sistema de governo uniforme e bem organizado que
funcionava bem e a contento de todos. O pais era dividido em 24 distritos.
Cada distrito possuía uma capital, sendo dirigido por uma espécie de governador.
Esses governa-dores, muito cônscios de sua responsabilidade, eram inteligentes
e sábios, sendo chamados "druidas".
Para que não surja nenhum equivoco, seja dito aqui que os druídas, que
milênios mais tarde viveram entre os celtas e em algumas tribos de germanos
do norte, não tinham nada em comum com os druídas da Atlântida. Esses
posteriores druídas dos celtas eram sacerdotes cujo saber baseava-se em
ciências místicas.
Além dos druídas havia também na Atlântida um rei, que não apenas terrenamente
mas também espiritualmente tinha de corresponder a seu elevado cargo.
O castelo real, existente desde os primórdios, localizava-se na cidade
de Vineta. Esta cidade constituía o limite entre o reino do sul e o do
norte. O castelo chamava-se "Asgrind". Isto significava "sombra
de Asgard"*, e era composto de várias edificações, diques, galerias
e pátios que se estendiam até a costa, bem acima do nível do mar, onde
havia sido construído um alto e largo paredão.
O mentor espiritual que estava ainda acima do rei e dos druidas chamava-se
"Gurnemanz". Era um eleito que vivia no extremo norte, numa grande casa
de grossos troncos de árvore, chamada "casa da neblina". E não era à toa,
pois das lagoas e riachos subiam e evaporavam constantemente nuvens de
neblina.
Gurnemanz, aliás, já há anos fazia advertências com relação à invasão
dos forasteiros:
--"Fechai os portos, também para os muitos que se denominam mercadores.
Dai-lhes mantimentos e mandai-os de volta para lá, de onde vieram!"
Repetidamente havia pronunciado essa advertência por ocasião das reuniões
com o rei e os druídas, realizadas na casa da neblina.
--"Não tomeis levianamente minha advertência!" exclamara ele uma vez quase
desesperado. --"Esses forasteiros turvam vossa fé pura, solapando a vossa
confiança nos seres da natureza e rou-bando com isso a paz de vossos espíritos!"
Nenhum dos presentes esquecera essas palavras. Mas alguns druídas não
estavam convencidos de que os poucos forasteiros pudessem causar algum
mal ao grande e sábio povo da Atlântida...
* Olimpo"
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