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A
água sumiu Estamos diante de uma grave crise hídrica que caminha rapidamente para níveis desastrosos. Sempre tivemos a fantasia que nossos imensos recursos hídricos eram inesgotáveis, que podíamos superexplorar ao infinito. Mas hoje sobram provas de que a água torna-se um recurso cada vez mais escasso. A crise de energia é a primeira prova indiscutível de nossa incompetência no gerenciamento de bacias. O desmatamento, a ocupação irracional do solo e a superexploração são os mais importantes fatores do esgotamento de nossas bacias, dos reservatórios e dos rios que os abastecem. A floresta é fundamental para o ciclo hidrológico porque a "produção" de água é uma das principais funções da floresta. No entanto, o desmatamento, a ocupação irracional das áreas de mananciais, as queimadas e outras irresponsabilidades crônicas continuam a reduzir a nossa cobertura vegetal, contribuindo para a diminuição da média e da distribuição pluviométrica. EXPLORAÇÃO - No reservatório de Furnas temos, além da hidrelétrica, 34 cidades com quase um milhão de habitantes explorando suas reservas para consumo, uso industrial e irrigação. Na prática, há anos que a exploração é maior do que a capacidade de recarga oferecida pela natureza, causando o lento esvaziamento do reservatório. O mesmo ocorre com a represa de Sobradinho, com a agravante de o rio São Francisco estar morrendo por sofrer todo tipo de abuso desde sua nascente, na Serra da Canastra. Existem mais de 500 cidades em sua bacia e, com certeza, é a bacia mais desmatada e superexplorada, resultando em irregularidade pluviométrica, na perda de volume, no assoreamento do seu leito e na salinização de sua foz. O esgotamento de Sobradinho é só um sintoma do Velho Chico agonizante. São Paulo e Rio de Janeiro estão cada vez mais próximos do esgotamento de suas bacias e mananciais, caminhando para racionamentos permanentes. A todos os fatos acima descritos, juntam-se a incapacidade gerencial dos recursos hídricos e a demagogia, que permitiram a ocupação ilegal das áreas de mananciais pelos loteamentos clandestinos, por favelas e condomínios de luxo. CULPA - Não adianta ficar empurrando as responsabilidades. É da nossa cultura acreditar que a culpa é sempre do outro. Não é verdade. A culpa é minha, sua, da sociedade, da prefeitura, do estado e da união. Todos nós fazemos parte do problema e devemos contribuir para a solução. A solução é simples - cada um faz a sua parte da melhor forma que puder. Vamos reduzir e racionalizar o nosso consumo pessoal e familiar. Além disto, devemos cobrar e pressionar os governos, as empresas e os políticos. Pressionar e boicotar se for preciso. Nas eleições, por exemplo, temos a obrigação e a responsabilidade de votar nos candidatos a vereador, prefeito, deputado, senador, governador e presidente que tiverem claro e verdadeiro compromisso com a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável. O futuro, além de nossos compromissos pessoais, exige a "recuperação ambiental" da política nacional. Uma boa "descontaminação" também ajudaria. José Henrique Cortez, ambientalista e consultor. |
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