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MAR DOS XARAÉS - SIMPLESMENTE: PANTANAL
A denominação Pantanal nos traz à lembrança a imagem de uma zona permanentemente
alagada e inabitável - um pântano. Apesar do nome, não há nenhum charco
de lama escura no Pantanal Mato-Grossense.
No coração do Brasil, o Pantanal é formado por uma planície sedimentar
de aproximadamente 168.000 Km em território brasileiro, com altitudes
inferiores a 200m acima do nível do mar. Nela corre, de norte a sul, o
rio Paraguai e, de leste a oeste, do lado brasileiro os rios São Lourenço,
Cuiabá, Taquari, Negro, Aquidauana e Miranda.
Durante a estação chuvosa que vai de dezembro a abril, a concentração
pluviométrica sobre os rios da região faz com que estes, devido à pequena
declividade, extravasem o excesso d'água, inundando quase a totalidade
da área. Neste período, o Rio Paraguai, um dos maiores do complexo pantaneiro,
recebe 45 bilhões de metros cúbicos de água. Essa água origina-se das
chuvas sobre o território brasileiro diretamente ou através de afluentes
do próprio Rio Paraguai e das águas derretidas da Cordilheira dos Andes.
No quadro formado pelas enchentes, inúmeras lagoas ("baías") aparecem
ou ampliam-se, e braços d'água ("corichos") interligam-se. Fica então
a planície inundada em conseqüência destas chuvas de verão que provocam
o transbordamento dos rios, forma-se o Mar dos Xaraés - um lugar mágico
para quem ama a natureza.
Nesta "terra das águas", considerada durante muito tempo, "ficção geográfica",
excessivamente longe dos grandes centros de cultura, como bem comenta
o professor Lenine Póvoas, em seu livro "História da Cultura mato-grossense",
os períodos intercalados, de cheias e secas, são favoráveis ora a um,
ora a outro grupo de animais do Pantanal, proporcionando um espetáculo
natural, cuja magia é capaz de impressionar e emocionar até mesmo o mais
urbano dos mortais.
Dividem a imensidão pantaneira, em seus diversos ambientes, 650 espécies
de aves, 80 de mamíferos, 260 de peixes e 50 de répteis, além do gado
espalhado pelas fazendas da região.
Convivendo com os mamíferos, répteis e peixes, as aves transformam o Pantanal
em um mosaico de vida natural dos mais expressivos, que se evidencia na
alta temporada, logo após as chuvas, no decorrer do mês de maio, estendendo-se
até meados de outubro.
Apesar de ser considerado como um dos maiores patrimônios ecológicos
da humanidade, também há no pantanal a poluição dos rios, pelos garimpos
de ouro ou pela agricultura com agrotóxicos. Alterações do equilíbrio
ecológico de forma intencional e deliberada, ignorando os prejuízos à
gigantesca flora e fauna do local, vão caracterizar um crime ambiental
de dimensões inimagináveis.
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